terça-feira, 16 de março de 2010

Recife, 12 de Fevereiro



Dia 25, o último dia.
São 19h50, véspera do Carnaval. Já é noite e a minha viagem está perto do fim. Apanho um táxi para o aeroporto. A deslocação demora mais do que seria normal. Por esta altura, calcula-se, mais de dois milhões de foliões estão rua, dirigindo-se para o centro da cidade. Dentro do táxi passa uma canção cujo refrão é, aqui e ali, gritado lá fora:
- Oi pessoal, oi moçada, aí vem o galo da madrugada!
O galo, um galo gigante que, ao entrar na cidade na próxima madrugada, dará início a uma festa que já começou há dias, que verdadeiramente começa na sua preparação.

São 16h10. É uma tarde de um Verão rigoroso, igual a tantas outras. A sombra do hotel e as dos outros prédios da marginal de Jaboatão dos Guararapes está no mar. E irá crescendo à medida que a tarde for avançando de encontro a essa sombra maior, a noite. Passo em revista alguns dos apontamentos dos últimos dias para este caderno de viagem. Sinto-me verdadeiramente agradecido. Fui recebido por todos, do comandante Proença Mendes ao capitão (alcunha pela qual é tratado o marinheiro mais novo) acima de toda e qualquer expectativa. Primeiro, com deferência e depois, muito rapidamente depois, com um genuíno carinho.

São 6h30. O sol já nasceu. Acordo cedo para evitar o trânsito ou qualquer contratempo que me possa fazer perder a partida da Sagres. Estou praticamente sem dormir. O hotel onde passei esta noite fica a 50 minutos de distância da Sagres, a andar bem. Quando chego a bordo, sou conduzido à camarinha onde o comandante e o imediato se despedem de mim, depois de, muito gentilmente, me oferecerem um presente do navio. Um por um, despeço-me de todos os elementos da guarnição. Tento, espero, não me esquecer de ninguém. Os pilotos brasileiros chegam a bordo para ajudarem o navio a sair do porto da cidade e a banda da Escola de Aprendizes Marinheiros de Pernambuco começa a tocar. A Sagres parte. Vai-se afastando. Deixo de conseguir reconhecer os rostos dos meus camaradas. Mordo os lábios para não chorar. Até sempre, camaradas.

3 comentários:

  1. Bem, a despedida é sempre dura! Mas eles voltam.. voltam sempre!
    E daqui a nada um de voces já lá está novamente.
    Eu também gostava de navegar lá. Mas como isso não se arranja, vou ter a San Diego, para matar saudades do meu amorzão :D
    Um abraço aos dois e boa viagem ao Miguel, está quase a chegar ao dia 20.

    ResponderEliminar
  2. Obrigado, Liliana e boa viagem para si, até San Diego. Um beijinho, nuno

    ResponderEliminar
  3. Ola até san diego tambem quero ir ,,sera que se arranje um bom grupo ,era bom até la beij p todos e continuaçao de boa viagem ,,que passe depressa .......

    ResponderEliminar