domingo, 17 de janeiro de 2010

Lisboa, 18 de Janeiro de 2010.

Campo de Ourique, 00h10. Algumas linhas sobre a viagem antes da viagem. Nunca antes tinha estado a bordo da Sagres. A Sagres era o navio cujas visitas ao público antes das viagens davam reportagens de alguns minutos nos telejornais. E que, de vez em quando, recebia governantes, presidentes, primeiros-ministros e ministros com a pasta da Defesa, que também apareciam na televisão, um ou outro pecando talvez por excesso na indumentária náutica utilizada. Lembro-me de Mário Soares e do seu à-vontade natural, aquele tu-cá-tu-lá desconcertante. De Guterres a (não desistir de) baixar a melena levantada pelo vento. De Jorge Sampaio e do seu olhar atento e melancólico, seguindo as explicações do comandante. E de Paulo Portas com um blusão uns números acima. Quando na sexta-feira passada subi pela primeira vez a bordo, nunca antes tinha pensado o que é estar longe de casa, meses sem ver a família e os amigos. E também nunca tinha pensado antes, em qualquer coisa que, por duas vezes, me disseram nestas duas semanas que antecederam a partida: “Um mês? Já vais fazer amigos”. O resto foram conversas de circunstância. “Até à Madeira vais apanhar cacetada”, os que percebem alguma coisa disto. “Quanto tempo é que a Marta (a minha mulher) demorou a dizer-te que sim, que se organizava com as miúdas, sem ti, um mês?”, os mais íntimos. “Tu enjoas?”, todos. Parto com todas as expectativas e com duas únicas preocupações. Primeira, não ser “um corpo (muito) estranho” Um civil entre militares, um estorvo entre marinheiros. Como me disse o Contra-Almirante Tavares Almeida: “Você tem que aprender depressa, integrar-se, até porque será sempre a pessoa que terá um pé no convés e outro em Lisboa, para onde vai enviando informação”. Segunda, encontrar uma voz para a informação que vou enviando, e que esta corresponda à generosidade dos Jogos Santa Casa, à abertura da Marinha e ao interesse de quem me vá seguindo. Nestas últimas horas antes da partida, faltou tempo mas sobrou carinho. Pela roupa quente e entusiasmo, obrigado Sofia. Pelo equipamento e pela paciência, obrigado Lourenço. Pelo layout e revisão, obrigado João e Maria João. Por desde a primeira hora ter acreditado, obrigado, Susana. Pelos livros e pelo “sim”, obrigado Marta. Por tudo, obrigado a todos. O mérito é todo vosso, os erros apenas meus.

Haiti. Deixo imediatamente em baixo a lista e os respectivos contactos de algumas das organizações que já estão no terreno – e da nossa AMI -, para as quais pode chegar fazer o seu donativo.

AMI
NIB: 0007 001 500 400 000 00672
Multibanco: Entidade 20909 Referência 909 909 909 em Pagamento de Serviços

YELE HAITI EARTHQUAKE FUND

DOCTORS WITHOUT BORDERS

UNICEF

GOOGLE CRISIS RESPONSE for donations to UNICEF & CARE programs

BILL CLINTON FOUNDATION

STILLER STRONGER

5 comentários:

  1. Boa viagem, senhores audazes.
    Estou encantada por ser amiga de um dos sortudos (o Nuno) que vão embarcar na 3ª circum-navegação da Sagres.
    Como não posso fazer-me também ao mar, seguirei por aqui a vossa viagem, com a expectativa de emocionantes relatos.
    Desejo que os dias vos sejam longos de entusiasmo e que tudo se torne deliciosamente inesquecível.
    Boa sorte, ó audazes!

    ResponderEliminar
  2. Venho desejar propícios ventos e outros bons augúrios aos nautas que ao mar se aventuram, já que "sorte" não se deseja a quem por ela será "protegido".

    Boa viagem para nós todos!

    ResponderEliminar
  3. Que a sorte te protega audaz amigo e aqui te seguirei em tão formosa aventura, esperando deleitar-me com teus fantasticos relatos.
    boa viagem

    ResponderEliminar
  4. Estarei contigo de alma e coração durante a tua aventura TIOZÃO (Nuno)! Sempre te reconheci "Grande e Audaz".
    Que Haja Sabedoria, Criatividade e Alegria!

    ResponderEliminar