quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

03 de Janeiro de 2010.



00º 09’.3S 026º 51.4W, dia 16, 23h55.

Alvorada, pequeno-almoço, formatura. Esta parece uma manhã de trabalho igual a todas as outras. Mas não é. Quem já tinha cruzado o Equador, não consegue esconder um sorriso no canto dos lábios. Quem o fez ontem pela primeira vez, tenta disfarçar alguma apreensão. À enfermaria chegam mesmo algumas queixas, umas dores de cabeça, umas dores de barriga.
- É tudo psicológico. Não passa de nervos, são pseudo-cefaleias – diz o sargento enfermeiro – Logo à noite, já está tudo bom, vai ver.
Ninguém se esqueceu da noite anterior e toda a gente aguarda o julgamento de hoje à tarde. A seguir ao almoço, o julgamento tem finalmente início. Perante Neptuno e a sua corte, um juiz, acompanhado de um advogado de acusação e de um outro de defesa, declara aberta a sessão. Um a um, todos os oficiais e todos os membros da guarnição nunca antes julgados pelo tribunal do Rei dos Mares vão ouvir a sentença por terem ousado profanar as suas águas. Aqui a justiça é célere e a defesa leviana. Lida a sentença, esta é imediatamente cumprida. As penas variam naturalmente em função dos crimes em presença. Umas grades de cervejas e umas garrafas do mais puro malte como multa, umas idas ao barbeiro e ao engraxador, uns beijos no S. Hilário, no anel do Bispo e na coxa da ninfa, devidamente autorizada por Neptuno, e para remissão de todos os pecados, uma ida à piscina ou uma passagem sob a quilha do navio com este a 6 nós. Ou tudo isto de seguida. E uma vez mais, tudo o que esta tarde aconteceu a bordo da Sagres, morre…

1 comentário:

  1. Eh lá, castigos duríssimos! Então os beijos no santo, no anel, na coxa...
    Cuidado com o Rei do Mares! Então se é ele que vai beber esse álcool todo... Vai perder a autoridade! LOL

    beijos para todos

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